Riscos e boas práticas de segurança rodoviária
O papel do condutor na prevenção de acidentes
Grande parte dos acidentes de viação tem origem em fatores humanos.
O comportamento do condutor, a forma como avalia o ambiente e a atenção dedicada à condução influenciam diretamente a capacidade de evitar situações perigosas. Quando estas capacidades são reduzidas, o risco de ocorrer um acidente aumenta significativamente.
Adotar hábitos responsáveis e reconhecer os comportamentos de risco são passos essenciais para reduzir a sinistralidade e promover uma circulação mais segura para todos.
Principais comportamentos de risco
No quotidiano, certos hábitos passam despercebidos, mas têm impacto direto na segurança rodoviária. Para ajudar a preveni-los, reunimos os comportamentos que mais contribuem para o aumento do risco e que requerem especial atenção ao volante.
1. Conduzir sob efeito de álcool
O consumo de álcool é comum em Portugal e está associado a muitos acidentes rodoviários.
Apesar de por vezes ser visto como um estimulante, é na verdade um depressor que interfere com o desempenho seguro da condução:
- Prejudica as capacidades sensoriais, percetivas, cognitivas e motoras, essenciais para uma condução segura.
- Reduz a acuidade visual, a visão noturna e o campo visual, podendo originar visão em túnel.
- Aumenta o tempo de reação, dificultando respostas rápidas perante imprevistos.
- Induz euforia e excesso de confiança, levando a comportamentos mais arriscados ao volante.
2. Exceder a velocidade recomendada
A velocidade desempenha um papel decisivo na segurança rodoviária e influencia a forma como conduzimos.
À medida que aumenta torna-se mais exigente para o condutor manter uma condução segura, uma vez que tem:
- Mais dificuldade em tomar decisões rápidas, aumentando a probabilidade de erro.
- Menor campo visual (efeito de túnel), dificultando a observação de zonas laterais da via.
- Menor controlo e estabilidade do veículo, especialmente em curvas, aumentando o risco de derrapagem ou despiste.
- Aumento da distância de paragem e da força do impacto, tornando mais difícil evitar colisões e agravando as suas consequências.
3. Usar o telemóvel enquanto conduz
Estar a olhar para um ecrã durante a condução exige um esforço cognitivo adicional. O condutor passa a realizar duas tarefas em simultâneo, conduzir e processar informação no telemóvel.
Esta duplicação de tarefas pode originar:
- Menor atenção à estrada, com diminuição da vigilância e maior dispersão do foco.
- Aumento do tempo de reação, dificultando respostas rápidas perante imprevistos.
- Pior avaliação do posicionamento do veículo, da velocidade e da distância de segurança.
- Dificuldade em interpretar e memorizar a sinalização, levando a erros de decisão e manobras incorretas.
4. Conduzir sob efeito de medicamentos
Alguns medicamentos podem alterar o estado de alerta e afetar a forma como o condutor reage ao que acontece na estrada.
Eis alguns dos efeitos e fatores de risco associados ao consumo de fármacos antes ou durante a condução:
- Reduz a atenção, vigilância, tempo de reação, capacidades percetivas e motoras.
- Medicamentos "inocentes" (antigripais, antialérgicos, xaropes, gotas oftálmicas) também causam riscos.
- Combinação álcool + medicamentos é extremamente perigosa e multiplica os efeitos negativos.
- Automedicação aumenta muito o risco podendo originar euforia ou fadiga, agressividade ou passividade, tonturas, sonolência, entre outros.
5. Conduzir com fadiga
O sono e o cansaço aumentam significativamente o risco de erro ao volante.
Eis alguns dos efeitos mais comuns associados à condução em estado de cansaço:
- Menor vigilância e tempo de reação mais lento, tendo dificuldade em acompanhar o que acontece à volta.
- Reflexos e decisões mais demorados, afetando respostas a situações imprevistas.
- Alterações na visão, como dificuldade em focar ou manter a atenção visual.
- Microssegundos de ausência, mesmo com os olhos abertos, aumentando o risco de perda de controlo.
Boas práticas a adotar no dia a dia
Gestos simples, como estar atento ao ambiente, respeitar as regras e adotar comportamentos responsáveis, fazem a diferença na prevenção de acidentes. Estas boas práticas ajudam a proteger todos os que circulam na via pública: